Poesia vivida
Um confortável colchão de capim
Lembranças que inspiram devem ser contadas

O ser humano está sempre em busca de um lugar para estar, brincar, viver, repousar, agir, trabalhar e amar. Eu tinha um lugar fantástico para dormir. Era uma cama feita de caixotes de feira e um colchão de capim, foi feita pelas mãos de uma das poucas pessoas que me amaram de verdade em toda a minha vida. Era amor puro! Meu Pai, José Gomes de Souza, me passava segurança só de olhar nos meus olhos. Na garupa daquela bicicleta, indo para a escola, eu me sentia um super estudante.
Ele ia para o seu lugar de trabalho, mas antes, me deixava no meu lugar de estudo. Tudo era muito lindo, no final do dia ele estava lá, ao pé daquela escada imensa que dava acesso à escola, havia ali muitas crianças, mas, na minha cabeça, éramos apenas nós dois. Eu montava na garupa da bicicleta “Monark, Barra forte” e lá íamos nós.
Mais um dia terminava e ele me preparava um jantar muito saboroso, me ensinava a escovar os dentes e em seguida, eu ia para a minha cama. Hoje, ele não se encontra mais neste mundo, e desde sua partida eu até passei por lugares bons, mas nunca mais encontrei o meu lugar. A cama de capim deu lugar à outras camas e até mesmo, em raros momentos, ao relento e noites turbulentas.
Sigo em busca de lugares, mas nesses lugares, preciso de alguém fiel, que saiba o que é amar, que confie em quem eu sou e que entenda que existe um passado, no qual cometi erros sim, mas nunca um crime. Logo, não me cabe condenação por já ter vivido até aqui, mas sim! Cabe-me a chance de amar, ser feliz, sorrir e até chorar, mas acima de tudo: viver com o prazer de saber que alguém está feliz em minha companhia e se propõe a buscar, junto comigo, sentir o conforto que cercava a minha vida no tempo daquele confortável colchão de capim.
Direitos poéticos reservados.
Foto destacada: Um ninho de capim (Reprodução/Goh Rhy Yan/Unsplash)
Texto: Evaldo Gomes.


