Economia

Descontos irregulares em benefícios do INSS podem chegar a R$ 6,3 bi

Entenda a Operação Sem Desconto deflagrada pela Polícia Federal que já causou queda de ministro e pode gerar uma CPI

Descontos irregulares em benefícios do INSS podem chegar a R$ 6,3 bi
Gabriel Ferreira
Publicado em 20/05/2025 às 19:55

A Polícia Federal deflagrou recentemente a Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. Segundo as investigações, valores vinham sendo repassados a associações conveniadas, supostamente em troca de serviços oferecidos aos beneficiários. No entanto, há indícios de que parte desses descontos ocorriam sem o consentimento dos segurados.

De acordo com a PF, fraudes como falsificação de documentos e assinaturas eram utilizadas para autorizar os repasses junto ao INSS. O esquema teria operado entre 2019 e 2024 e pode ter gerado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões aos aposentados e pensionistas.

Reparação às vítimas

Na última terça-feira (13), o INSS notificou mais de 9,4 milhões de segurados sobre descontos identificados em seus benefícios. Em apenas três dias, cerca de 1,3 milhão de pessoas já contestaram cobranças indevidas, segundo dados oficiais.

Até o momento, todas as 41 instituições conveniadas ao INSS tiveram descontos questionados por beneficiários — número muito superior às 12 associações diretamente investigadas pela Polícia Federal.

Quem identificar cobranças indevidas deve contestá-las para ter direito ao ressarcimento. A contestação pode ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS, ou pelo telefone 135.

Impacto financeiro e político

O governo pretende usar recursos apreendidos nas investigações para reembolsar os prejudicados, mas não descarta recorrer ao Tesouro Nacional para cobrir os valores.

O escândalo já provocou a queda do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto e o ministro da Previdência, Carlos Lupi. A crise aumenta o risco de instalação de uma CPI mista do INSS no Congresso, o que pode desgastar ainda mais o governo Lula em um ano pré-eleitoral.

Foto destaque: Logo do INSS (Reprodução/Instagram/@inss_oficial_gov)