Repercussão

“Perdeu mané” vai lembrar, para sempre, o STF

Ex-ministro da Suprema Corte brasileira se diz preocupado com condução de processos do "08 de janeiro"

“Perdeu mané” vai lembrar, para sempre, o STF
Evaldo Gomes
Publicado em 28/03/2025 às 8:18

A frase “perdeu mané” foi dita pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso em resposta à manifestantes bolsonaristas no ano de 2022. A fala do ministro viralizou e desde então passou a ser usada com frequência por muitas pessoas que acompanham o caso, desde a baderna do fatídico dia 08 de janeiro até os dias atuais nos quais um julgamento regido por ministros, do citado tribunal, está prestes a condenar uma mulher que reproduziu a fala do ministro escrevendo a famosa frase na estátua da justiça localizada em frente ao prédio do STF com um batom.

A frase e os crimes

A frase em questão nunca mais deixará de lembrar a Suprema Corte brasileira, primeiro, pela fala do ministro Barroso que a usou em tom de deboche e segundo, pelo ato falho da cabelereira Débora Rodrigues dos Santos que pode ser condenada a 14 anos de prisão pela inflamada Suprema Corte que, segundo a leitura dos votos já proferidos, votam em defesa do estado democrático de direito, condenando Debora pelos seguintes crimes:

  1. Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  2. Tentativa de golpe de Estado 
  3. Dano qualificado com violência 
  4. Associação criminosa armada 
  5. Deterioração de patrimônio tombado  

O Brasil e o mundo assistiram o ocorrido pelos meios de comunicação e não podemos negar que houve a invasão dos prédios públicos, bem como a depredação de patrimônio tombado. Mas a opinião pública não está reagindo bem diante da possível condenação da cabeleireira a 14 anos de prisão e sua inclusão no pagamento de uma multa de R$30mi.

Julgamento e repercussão

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, já proferiram seus votos a favor da condenação da cabelereira, mas o ministro Luiz Fux pediu vistas ao processo interrompendo temporariamente o julgamento. A pena de 14 anos é considerada exorbitante por pessoas de direita e de esquerda e tem sido tema de debates e opiniões em todos os meios de comunicação. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, que disse concordar com o ministro Luiz Fux ao pedir mais tempo para avaliar o processo, falou, em entrevista, que é preciso rever a forma como os processos vêm sendo conduzidos e discordou da pena e da qualificação dos crimes imputados à Debora que está presa há dois anos.

Foto destaque: (Reprodução/Instagram/@supremotribunalfederal)