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Brasil registra 23,9 mil crianças desaparecidas em 2025: uma média de 66 casos por dia

Dados do Sinesp revelam que meninas são 61% das vítimas; especialistas pedem que a denúncia seja imediata e apontam conflitos familiares como principal causa

Brasil registra 23,9 mil crianças desaparecidas em 2025: uma média de 66 casos por dia
Imagem Crianças desaparecidas | Reprodução/IA
Evaldo Gomes
Publicado em 08/02/2026 às 12:29

O Brasil enfrenta um cenário alarmante no que diz respeito à segurança da infância e juventude. De acordo com o balanço consolidado de 2025 do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o país encerrou o ano com a marca de 23.919 registros de desaparecimentos de crianças e adolescentes. O dado revela uma realidade cruel: a cada hora, pelo menos dois menores de idade somem no território nacional.

​O Mapa da Vulnerabilidade Infantil

​O levantamento aponta que o fenômeno se manifesta de formas distintas pelo país. Enquanto São Paulo concentra o maior volume bruto de registros, com cerca de 6,3 mil casos envolvendo menores, estados com menor densidade populacional, como Roraima e Amapá, apresentam as maiores taxas proporcionais. Nessas regiões, o risco para uma criança desaparecer é estatisticamente superior, muitas vezes agravado pela vulnerabilidade em zonas de fronteira.

Imagem: Crianças desaparecidas (Reprodução/IA)

​As causas por trás dos números

​Diferente do que sugere o imaginário popular, o desaparecimento infantil no Brasil é motivado, em sua maioria, por fatores internos ao convívio social da vítima. Segundo investigações policiais e relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as principais motivações incluem:

​Conflitos e Violência Doméstica: Fugas motivadas por maus-tratos ou abusos no ambiente familiar.

​Aliciamento Digital: O uso de redes sociais por predadores para atrair jovens para encontros presenciais.

​Vulnerabilidade Social: A falta de suporte estatal em áreas de risco que facilita o afastamento do menor de seu lar.

​O que dizem as autoridades

​A gravidade dos dados de 2025 mobilizou órgãos de diferentes esferas. A coordenação do Sinesp, ligada ao Ministério da Justiça, reforça que o aumento nos números também passa por uma melhoria na eficiência das notificações. “A integração dos sistemas estaduais permite que uma criança desaparecida em um estado seja identificada rapidamente em outro, mas a prevenção na base familiar ainda é o nosso maior desafio”, afirmam em nota técnica.

​Já o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) faz um alerta sobre a agilidade policial. “A sociedade e as delegacias precisam desmistificar a espera de 24 horas. A Lei da Busca Imediata é o que separa um reencontro feliz de uma tragédia permanente”, destaca a presidência do órgão.

Imagem: Logo do CNPD (Reprodução/Site do CNPD)

​Perfil e Prevenção

​O recorte de gênero é um dos pontos mais sensíveis da matéria: 61% dos desaparecidos são do sexo feminino, com maior incidência na faixa da adolescência.

​Especialistas e autoridades são unânimes: “Ao constatar que uma criança não está em seu paradeiro habitual e não houve contato, o Boletim de Ocorrência deve ser feito na hora”.

​Canais de Ajuda

​Disque 100: Direitos Humanos.

​190: Polícia Militar.

​Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas: Portal oficial para consulta e registro de casos. (cnpd.mj.gov.br/painel-publico).